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Artigo Nr. 26
  • REVISITANDO OS JOGOS OLÍMPICOS E O OLIMPISMO: UM TEXTO ENDEREÇADO AOS ALUNOS DAS GRADUAÇÕES.
  • REVISITANDO OS JOGOS OLÍMPICOS E O OLIMPISMO: UM TEXTO ENDEREÇADO AOS ALUNOS DAS GRADUAÇÕES.
     
    Profº. Ms. Fernando Portela e Profº. Ms. Otávio Tavares
    Universidade Gama Filho e Universidade Federal do Espírito Santo
     
    RESUMO
    Essa comunicação é dedicada aos alunos que ingressaram ou estão ingressando nos cursos de graduação e tem por objetivo dar subsídios, em linguagem simples e acessível, àqueles que se interessarem por assuntos ligados ao Movimento Olímpico. O fio condutor teórico do texto foi retirado dos relatórios das sessões realizadas na Academia Olímpica Internacional, bem como o marco teórico estabelecido por Tavares (1998), sobre Olimpismo. O texto é iniciado com uma visão superficial dos Jogos Olímpicos da Antigüidade, e abrange algumas das suas principais características. Uma segunda parte se desdobra em dar indícios de como e por que o Barão Pierre de Coubertin idealizou e restaurou os Jogos Olímpicos, criando um ideal por detrás desse evento. O Olimpismo. Finaliza com considerações a respeito de como vem se amplificando parte do processo de Educação Olímpica no Brasil, sugerindo uma nova entrada para expandir o contingente de pesquisadores envolvidos com o assunto.
    Palavras-chaves: Jogos Olímpicos da Antigüidade, Jogos Olímpicos da Era Moderna, Olimpismo.
     
    ABSTRACT
    This essay is dedicated to the students who are undergraduated and it has as the main aim to give them some assistence by simple and easy speech, in order to create attraction for the Olympic Movement issues. As theoretical basis, reports from International Olympic Academy were used, as well as theoretical foundations established by Tavares (1998) in the grounds of Olimpism. Text begins with a superficial overview, that focus some characteristics of the Ancient Olympic Games. Secondly, it gives evidences of how and how come Pierre de Coubertin idealized and reestored the Olympic Games, creating the ideal of Olimpism. Finally, it finishes with some considerations about how some sort of the Olympic Education process in Brazil has being amplified and suggests a new strategy to increase the effectives of researchers involved in this issue.
    Key-words: Ancient Olympic Games, Modern Olympic Games, Olympism.
     
    INTRODUÇÃO
     
    Próximos ao final da última Olimpíada do século, parece inconteste que o esporte tornou-se uma manifestação social de primeira grandeza. Os Jogos Olímpicos da era moderna, representam uma fatia importante do contexto esportivo da modernidade, e como tal atestam o valor do esporte na sociedade atual. Somente nos Jogos Olímpicos de verão em Atlanta em 1996, mais de 4 bilhões de pessoas assistiram instantaneamente às imagens transmitidas pelos meios de comunicação e mais de 900 milhões de dólares foram arrecadados pelo Comitê Olímpico Internacional apenas pela concessão dos direitos televisivos do evento (LANDRY, 1998:171).
    Não é coincidência também que, além do vulto econômico, os Jogos Olímpicos são o maior evento cultural da humanidade na atualidade (ABREU, 1999:70-77), e que o interesse pelo tema vem crescendo em grandeza geométrica no Brasil nos últimos anos.
    A cristalização da demanda pelo tema Jogos Olímpicos, e assuntos correlatos, tem sido manifestada por intermédio da criação de centros de estudos Olímpicos em diversas Universidades, que buscam a formação de um grupo de pesquisadores dotados de conhecimento para desenvolver pesquisas na área.
    Entretanto, apesar do crescente interesse, as informações circulantes sobre o assunto ainda permanecem dentro de um elitismo acadêmico, muito por falta de profissionais especializados em Olimpismo trabalhando nos diversos cursos de graduação, e por vezes pela pouca acessibilidade da linguagem dos documentos elaborados.
    A ausência de textos dedicados à apresentação de temas Olímpicos aos alunos recém ingressados nos cursos de graduação das universidades depõe a favor desse elitismo, e dificulta o trabalho de se obter um entendimento mais amplificado sobre o assunto.
    A indicação anterior abre espaço para questionamentos, como por exemplo: em face de uma declarada intenção de se disseminar a Educação Olímpica no país, como dar conta de um hipotético paradoxo entre massificar e elitizar o conhecimento acadêmico a respeito do Olimpismo. Talvez esse seja mais um dos contrastes do ecletismo de Pierre de Coubertin (DACOSTA, 1999:50-69).
    Dedicarei o texto desse artigo à massificação. Nesses termos, o objetivo desta comunicação é apresentar de forma simples e em linguagem acessível uma breve iniciação sobre Jogos Olímpicos e Olimpismo, de forma que se permita a compreensão de informações básicas, por aqueles que entram em contato com o tema pela primeira vez. Nesse propósito, particularmente alunos das diversas áreas de graduação universitária.
     
    REVISITANDO OS JOGOS OLÍMPICOS DA ANTIGUIDADE
     
    Inicialmente é preciso fazer a distinção entre Jogos Olímpicos da Antigüidade e Jogos Olímpicos da Era Moderna.
    Os Jogos Olímpicos da Antigüidade eram realizados de 4 em 4 anos em Olímpia, na unidade política de Elis na antiga Grécia, e tem como marco inicial a data de 776 A.C.. Essa data foi estabelecida a partir de achados arqueológicos, os quais documentavam a vitória de um competidor na corrida do stadium. Algumas evidências indicam, porém, que os Jogos da Antigüidade podem datar de mais de 1000 anos A.C. (PALAEOLOGOS, 1962:136)
    Esses Jogos tinham caráter religioso, particularmente uma homenagem ao Deus Zeus, Deus de todos os Deuses em uma civilização politeísta. Eram disputados apenas pelos vários povos, pulverizados por territórios que conhecemos atualmente como sul da Europa, norte da África e Oriente Médio, os quais formavam a nação grega.
    O significado das leis morais, a despeito da ausência de qualquer lei escrita, era tanta que todos os gregos as aceitavam. Um ponto de referência era a adoração dos mesmos deuses pelos diferentes povos da nação grega.
    Em Olímpia eles se reuniam em torno de uma mesma situação, falando a mesma língua, com a mesma religião e as mesmas normas sociais morais, dessa maneira formando uma unidade cultural (PALEOLOGOS, 1981:69-74), esses fatores davam aos Jogos um caráter Helênico. Esse caráter Helênico somente veio a se modificar com a participação de artistas persas, que lá foram para entoar seus poemas. Isto ocorreu durante o reinado de Philip, o qual negociava com os Persas a subjugação da Grécia (PALEOLOGOS, 1962:142).
    Um ponto a ser destacado é o de que os competidores desses Jogos eram considerados representantes legais de suas cidades e de suas famílias, e como tais disputavam as provas atléticas em troca de reconhecimento, honra e glória. A vitória em uma prova representava um feito heróico, que justificava o erguimento de uma estátua em homenagem ao vencedor com as inscrições do nome da sua família, nesse propósito o nome do pai, e da sua cidade de origem, gravados nela.
    Esse participante que era destacado para competir em Olímpia recebia um salvo conduto que lhe permitia atravessar os territórios hostis sem que fosse molestado. Isso porque apesar da língua, da religião e da ética em comum, existiam guerras políticas entre os diversos estados e grupos. Esse contexto de lutas foi responsável pela introdução de uma trégua sagrada durante os Jogos denominada ekecheiria.
    As condições da ekecheiria não foram totalmente esclarecidas por autores do período, mas algumas fontes sugerem que: 1) durante o mês sagrado, todas as guerras cessariam e a passagem para Elis seria livre à todos; 2) o tempo de duração desta trégua era de 10 meses, devido a jornada, que em determinados casos, era extremamente longa; 3) a cidade de Elis era neutra, sagrada e inviolável. Essa condição proibia o porte de armas na cidade, sendo essa violação severamente punida; 4) A trégua era válida para todos os estados gregos e não somente para aqueles reinados que tinham assinado o acordo (PALEOLOGOS, 1965:203-210).
    Nesse contexto pode-se indicar a idéia habitualmente aceita, a qual durante os Jogos Olímpicos da Antigüidade todas as batalhas e guerras eram interrompidas, a fim de que os Jogos fossem realizados. Isso poderia ser verdade, entretanto vale lembrar que naquela época devido às dificuldades de locomoção por territórios muito extensos as batalhas eram tomadas com um intervalo muito grande de anos, o que torna esta hipótese difícil de ser comprovada.
    Outro ponto a ser registrado é o do conteúdo moral com que os Jogos eram realizados. O competidor submetia-se à códigos de conduta, os quais lhe garantiam o direito de, caso vencesse, desfrutar da glória da vitória. Esse código, denominado arete, ou seja, a perfeita conduta sob a forma da excelência moral, física e intelectual impulsionava os atletas na direção de algo maior, um status quase divino que combinava a perfeição física, mental, e moral chamado kalos kagathos como compreende Tavares (1999):
     
    “A idéia de kalos Kagathos pode ser compreendida como a concepção de um ser humano virtuoso e harmoniosamente equilibrado entre físico e intelecto.” (p:28)
     
    A princípio os Jogos eram realizados em apenas 1 dia e apenas uma prova existia, a corrida relativa a distância de 1 stadium. Somente a partir da 14th edição dos Jogos Olímpicos da antigüidade é que a prova diaulos foi incluída, representava 2 vezes a distância do stadium. Na 18th edição dos Jogos foram incluídos o wrestling e o pentathlon. De acordo com o testemunho de Pausanias os Jogos tinham a duração de apenas um dia até 77th edição. Em 688 A.C. um segundo dia foi incluído e em 632 A.C. um terceiro também, assim como um dia anterior destinado aos sacrifícios e um dia subseqüente para as cerimônias de encerramento, totalizando 5 dias de festival sendo 3 destinados às pelejas (PALEOLOGOS, 1962: 142).
    Já o declínio dos Jogos se deveu à alguns fatores, entre eles às incursões dos romanos, que não compreendiam a profundo significado das competições ginásticas, wrestling e boxe.
    Os romanos se exercitavam somente com fins militares e ridicularizaram as competições gregas. Mesmo assim copiaram os Jogos, porém encararam estes como espetáculos e batalhas de guerra. No hipódromo escravos atuavam e em seguida eram mortos, César ofereceu 320 pares de dueladores, Pompeu abateu 500 leões. Os romanos pisaram nos costumes e na moral dos Jogos, infringindo os regulamentos e transformando-os em um espetáculo sangrento (Op.Cit., 1962:143).
    Tanto foi modificado do ideal da moral atlética com o passar dos anos durante o domínio romano, que os amantes da contemplação dos Jogos se desinteressaram por tudo aquilo que representasse competições atléticas. Então, por considerações políticas, em 394 D.C. o imperador Theodosius extinguiu os Jogos da Antigüidade (Ibid, 1962:144).
     
    OS JOGOS OLÍMPICOS DA ERA MODERNA E O OLIMPISMO
     
    Idealizados pelo Barão Pierre de Coubertin e realizados pela primeira vez em 1896, os Jogos tinham como objetivo a concretização de uma reforma social baseada no valor educacional do esporte, como interpreta Tavares (1999).
     
    “Para o Barão, os Jogos representavam a institucionalização da crença no esporte como um empreendimento moral e social. Neste sentido, os Jogos Olímpicos deveriam ser um manifestação pedagógica dos valores que atribuía à prática esportiva. Este conjunto de valores ele chamou de Olimpismo.” (p:6)
     
    Coubertin, estudioso da pedagogia, buscava fundamentos que o ajudassem a executar uma reforma do sistema educacional na França. Sustentado por três pilares básicos: um ensino sólido, atividades esportivas e a religião; mostrou-se admirado pelo modelo inglês de educação, particularmente o da Rugby School, onde Thomas Arnold introduzira com sucesso a educação moral por meio do esporte.
    Para o Barão o esporte necessitava ser mais do que um catalisador de energia, era preciso dar ao esporte um valor moral e intelectual, tal como aquele desenvolvido na antigüidade grega em seus Jogos Olímpicos.
    Ele almejava uma educação para os jovens, não por meio de informações secas e instruções servidas por professores pedantes, mas sim um tipo na qual, somados o treinamento do corpo e o enobrecimento das suas mentes, os jovens pudessem nutrir fé, construir corpos fortes, criar uma sólida e corajosa personalidade e um caráter virtuoso (SZYMICZEK:1975,46).
    Neste contexto, Coubertin vislumbrou a possibilidade de uma reforma mais abrangente, em que jovens de todas as partes pudessem se beneficiar dos efeitos de uma pedagogia esportiva que prezasse pela formação física, mental e do caráter, como sugere Diem (1962:5): “Por que não deveria a França restaurar essa glória (dos Jogos antigos), novamente?”
    Contudo, apesar de se servir dos Jogos Olímpicos da Antigüidade como inspiração, Pierre de Coubertin era um homem da modernidade e trabalhava em função dessa.
    Propôs a restauração dos Jogos, mas também incluiu elementos necessários à sua realidade; a internacionalização dos Jogos, a inclusão de diferentes competições e esportes, uma vez que em sua concepção todos os esportes possuem o mesmo valor desde que praticados adequadamente, o desenvolvimento da amizade e cooperação entre os povos, a recomendação para uma paz mundial nos moldes culturais de cada nação, a abolição da discriminação racial e a criação do Comitê Olímpico Internacional, o qual seria o guardião dos ideais Olímpicos (SZYMICZEK, 1975:47).
    Nestes termos Coubertin acabara de criar o Olimpismo que segundo a Carta Olímpica é:
     
    “Uma filosofia de vida que exalta e combina em equilíbrio as qualidades de corpo, espírito e mente, combinando esporte com cultura e educação. O Olimpismo visa criar um estilo de vida baseado no prazer encontrado no esforço, no valor educacional do bom exemplo e no respeito aos princípios éticos fundamentais universais.”(p:8)
     
     
    No entanto, o grau de abstração dessa definição de Olimpismo não permite uma conceituação que vá além de uma intuição racional, na qual o esporte deveria ser praticado por ser uma atividade boa para o ser humano.
    De outra forma, há aqueles que contestam o Olimpismo como uma filosofia de vida, nesse propósito DaCosta (1999:62), que entende o Olimpismo como “uma das diversas versões do humanismo, uma posição filosófica que, passados os anos, se tornou uma construção pluralística.”
    Para tentar compreender o que seria o Olimpismo recorre-se ao marco teórico elaborado por Tavares (1998) em que se pese as 3 categorias distinguidas por ele.
    a)       Internacionalismo, entendimento e respeito mútuo: está ligada à idéia de promoção da paz internacional por meio do esporte, desde que se conceda aos jovens de todo o mundo a oportunidade de conhecimento e relacionamento entre si. É um valor que se fundamenta no desenvolvimento de relações de amizade entre os participantes e entre os espectadores durante os Jogos Olímpicos, em um ambiente de respeito às diferenças culturais e exaltação da diversidade. Para isso ocorrer é preciso que os atletas dos diferentes países do mundo possam ter a chance de participar das competições esportivas dos Jogos e que a estrutura física e organizacional do evento permita o contato e o intercâmbio entre todas as delegações.
    b)       Desenvolvimento harmonioso, físico e intelectual: nessa categoria o atleta Olímpico deve ser um cidadão que conjugue de maneira ótima as capacidades físicas e o desenvolvimento intelectual. Assim como os Jogos Olímpicos devem promover não só as competições esportivas como também manifestações artísticas, em um ambiente de perfeita integração entre cultura física e cultura artística, dentro e fora da Vila Olímpica. Estimular e valorizar não só as capacidades psicomotoras como também a capacidade intelectual dos competidores deve ser uma característica do Movimento Olímpico.
    c)       Fair Play: ou, espírito esportivo é a categoria na qual o esporte deve ser praticado dentro do respeito às regras, aos árbitros e aos adversários, recusando vantagens injustificáveis e meios ilegítimos. Portanto, demonstrar que a vitória só deve ser alcançada através da honestidade e da justiça, aceitar a derrota com dignidade, respeitar os adversários e árbitros tornam-se uma obrigação moral do atleta Olímpico. Assim, as relações humanas e o respeito à dignidade humana devem estar acima da busca da vitória a qualquer preço, dando um sentido ético à participação no esporte Olímpico.
     
    CONSIDERAÇÕES FINAIS
     
    Em termos de conteúdo teórico, os temas Jogos Olímpicos e Olimpismo possuem infinitas possibilidades de discussão, o que é bom. No caso do Brasil os estudos dedicados ao assunto ainda são escassos, contrariamente ao que assistimos no cenário internacional, principalmente Europa e América do Norte.
    Este estágio do conhecimento poderá será superado a partir da tomada de 3 iniciativas básicas, conforme sugeriu Tavares (1999:8):
     
    “A superação deste estágio da produção do conhecimento na área do Olimpismo no Brasil passa necessariamente por três estágios. 1) a formação de um grupo de pesquisadores dotados de conhecimentos e motivação para desenvolver pesquisas na área; 2) a criação de uma linha de pesquisa que oriente, aglutine e forneça um sentido de continuidade no trabalho desenvolvido por estes pesquisadores (mainstream); 3) a formação de literatura sobre o tema em português, referenciada às condições brasileiras e seguida de um programa de publicação e/ou divulgação pela internet.”
     
     
    Parece que as medidas cogitadas por Tavares têm sido levadas a cabo de forma producente, tendo algumas universidades iniciado a formação de grupos de pesquisadores por meio dos centros de estudos Olímpicos.
    Igualmente, a Academia Olímpica Brasileira tem sido responsável pelo desenvolvimento de uma linha de pesquisa dentro dos moldes do Movimento Olímpico, mas que prestigia as condições de cultura do país, e também tem incentivado a realização de fóruns, seminários e congressos, em parceria com universidades, os quais permitem a constituição de literatura própria em língua portuguesa e a sua devida divulgação.
    Entretanto, considero que um outro estágio deveria ser incorporado aos três já existentes. Difundir os conhecimentos adquiridos por este grupo de especialistas, de forma tratável, às camadas iniciantes da formação acadêmica.
    A realização desta tarefa poderia acarretar um ‘efeito dominó’, no qual teríamos uma população muito maior de ‘pesquisadores’, com certeza num nível bem menor de rigorosidade, contudo com poder para disseminar a Educação Olímpica genuinamente.
    Não se pretende com isso tornar o estudo das demandas Olímpicas num circo, deseja-se construir um ‘exército de soldados’ competentes na divulgação dos ideais Olímpicos, liderados por generais de alto gabarito.
    Em analogia grosseira, haveria um nexo entre a atitude proposta e as palavras de Coubertin, que considerava as oportunidades para os mais bem-dotados inseparáveis das oportunidades para todos.
     
    “Para que cem se beneficiem da cultura física, 50 devem praticar um esporte. Para que 50 pratiquem um esporte, 20 devem se especializar. Para que 20 se especializem, 5 devem ser capazes de performances fora do comum. É impossível quebrar este círculo. Uma coisa segue a outra” (Segrave, In:Tavares,1999:26).
     
    Em contas finais, há que se abrir as portas a todos os níveis de compreensão dos estudos Olímpicos.
     
    BIBLIOGRAFIA
     
    ABREU, N. (1999). Bases multiculturais do Olimpismo. In: Estudos Olímpicos. Rio de Janeiro, Universidade Gama Filho. 70-77.
    COMITÊ OLÍMPICO INTERNACIONAL. (1997). Olympic Charter., Lausanne: International Olympic Committee.
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